Enem não avalia as capacidades globais do aluno

09/07/2017
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Atualmente os alunos do ensino médio, em especial os que cursam o terceiro ano enfrentam um grande obstáculo em suas vidas, o ENEM. Uma prova que reúne 180 questões de variadas matérias e assuntos que devem ser resolvidas em um curto espaço de tempo, juntamente com uma redação dissertativa argumentativa sobre um dado tema. Para passar na tão desejada faculdade pública, como as federais, é necessário acertar uma certa quantidade de questões que variam de acordo com o número de vagas e de concorrência. Mas eu lhes pergunto, o Enem realmente avalia as capacidades globais do aluno?
De acordo com a constituição brasileira, o sistema de educação deve ser voltada à formação do aluno para o mercado de trabalho e para a cidadania, e o ENEM deveria ser um reflexo deste aprendizado. Mas ele é? Pense um pouco sobre o nosso ambiente escolar, o Instituto Federal, onde possui um ensino diferenciado, que incentiva o aluno a se tornar pesquisador, independente, que sabe lidar e trabalhar com outros humanos e possui diversas áreas de conhecimento. Passamos grande parte do nosso tempo realizando pesquisas, redigindo o que se tornará nossa monografia, realizando trabalhos tanto em grupo quanto individuais, praticando esportes, cumprindo horas de estágio, e mais. Estes nos deixam com pouco tempo livre para realizar atividades de lazer, muito menos para estudar para o ENEM.
Agora imagine que existem muitos outros colégios onde os alunos ficam das 7 da manhã até as 6 da tarde durante três anos estudando para uma única prova, o Enem. Que fazem redações toda a semana, e suas provas são apenas simulados, com questões de vestibulares. Onde os professores não passam os conteúdos que consideram agregar conhecimento ao aluno, mas sim que estará presente no vestibular. Esses alunos, não interagem entre si, a única coisa que pensam é fazer o enem para entrar em uma boa universidade, que sofrem pressão interna e externa para irem bem, que se tornam competitivos, um querendo sobressair o outro. Essa é a realidade de milhares de alunos do ensino médio. Agora eu lhes pergunto, quem sairá melhor no ENEM, esses alunos, ou nós? Mas quem realmente está preparado para viver em sociedade e para o mercado de trabalho?
Nós, como alunos do instituto federal, não temos quase tempo para estudar para o enem, temos muitas outras coisas em nossas mentes, que são de extrema importância, mas que infelizmente não são considerados no ENEM. Irei citar um exemplo para clarificar, o problema que é o ENEM. Vejamos o nosso querido colega de classe, Mateus R., que possui inúmeros projetos de pesquisa, é dedicado, vai bem nas matérias, e como estágio, trabalha em uma empresa onde programa. Mateus quer fazer ciência da computação, e já sabe muito sobre, além de possuir grande facilidade nessa área, devido ao seus conhecimentos prévios. Mateus sabe programar em Java, C, PHP, HTML, sabe fazer aplicativos e sites. Mateus gasta grande parte do seu tempo agregando conhecimento que será muito útil para a sua faculdade e para a vida. Mas devido a isso, Mateus não tem tempo para estudar e se dedicar ao ENEM, e quando a hora de fazer o vestibular chega, pode haver um aluno que pegue a sua vaga por ter mais conhecimentos dos conteúdos presentes no ENEM. Mas quem realmente merece essa vaga? Eu lhes digo, o Mateus, pena que o Enem não preza tais conhecimentos, e sim a habilidade de um aluno memorizar certos conteúdos e saber administrar o tempo para responder cada questão dentro do tempo permitido.
Um aluno que vai bem no ENEM, não necessariamente é um aluno inteligente, uma prova que é igual para todas as áreas de conhecimento não consegue realmente avaliar a inteligência de uma pessoa. Por que um aluno deve saber sobre o nome do hormônio que é produzido pelo pâncreas que regula a taxa de glicose no sangue, quando ele realmente deseja cursar Literatura Francesa? Por que deve saber as imagens de uma lente divergente quando se deseja cursar Psicologia? Porque o  ENEM exige que o aluno tenha conhecimentos profundos sobre áreas que não serão utilizadas em seu curso, faz o aluno estudar durante horas por dia, e quando chega na faculdade, não haver utilidade alguma para esses estudos.
O ENEM, é só uma prova, e ele involuntariamente molda toda uma sociedade. Talvez já deve se deparado que muitos alunos acabam saindo do IF por não ter tempo para focar no vestibular, como também muitos pais que pressionam o filho para estudar para o mesmo, pois filho inteligente é aquele que vai bem no ENEM. Milhares de ensinos médios mudando seus métodos de ensinos para que os alunos atinjam uma boa pontuação no vestibular, e não necessariamente se tornem um bom cidadão. Enquanto o Instituto prepara os alunos para a vida por exemplo, muitas outras escolas preparam o aluno apenas para o vestibular, que julgam ser prioridade. O ENEM deveria ser fruto dos aprendizados obtidos na escola, mas na atual sociedade, em que os papéis foram invertidos, ele  molda a forma de ensino nas escolas e como a população pensa.
O método de avaliação do aluno para a sua entrada nas faculdades públicas deveriam ser diferentes, aplicando provas específicas para cada área, exigir que o aluno tenha conhecimentos gerais, mas não o aprofundamento deles, levar em consideração o currículo do aluno, suas conquistas, notas, habilidades e possibilidades. Cada aluno possui sua inteligência e capacidade, mas como Einstein já dizia: “Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a sua vida acreditando que é estúpido.”. O ENEM faz isso com milhares jovens, julga o burro e o inteligente, os futuros universitários baseados em uma medíocre forma de avaliação. Quantos talentos foram perdidos nesse processo? Se realmente houver mudanças, os alunos terão uma chance justa de uma faculdade e os ensinos médios e a sociedade prezariam mais na qualidade e futuro dos alunos, do que uma simples nota.

Autora: Zara Marks

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